IGP-M alto, como lidar?

O índice mais utilizado do mercado de locações, o IGP-M, está a algum tempo bem elevado. Por que isso está ocorrendo, e como podemos lidar com esse problema?

O que é IGPM?

O Índice Geral de Preços do Mercado, ou também conhecido como a Inflação do Aluguel, é responsável por calcular a movimentação de preços na economia nacional. Ele é realizado mensalmente e utiliza outros índices para medir a inflação ou deflação.

Como ele influencia na economia?

Como informado no início, esse índice mede a variação dos preços dentro do período calculado. Quanto mais alto o valor do IGP-M, mais o dinheiro desvaloriza. Vale lembrar que as elevações ao final do mês não determina todo o cenário da economia, deste modo, o investidor precisa avaliar mais de um indicativo, como IPCA.

Desta forma, o IGP-M tem grande impacto no custo de vida das pessoas, pois faz com que os valores de  planos de saúde, escolas, energia elétrica e outros serviços essenciais sofram reajustes.

O aluguel é outro item afetado pelo IGP-M, pois a média dos valores dos últimos 12 meses é usado no ajuste anual dos contratos, onde o dono do imóvel realiza a correção do valor mensal com base nesse resultado.

Investimentos como LCI (Letra de Crédito Imobiliário), CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e Tesouro também são afetados pelo índice, além de alguns contratos em que também pode ser aplicado sob certas condições que exigem cuidado para se ter um bom rendimento.

Como é calculado?

Os índices considerados são:

– IPA-M, Índice de Preços ao Produtor Amplo: Monitora variações do varejo e é o mais significativo do cálculo, responsável por 60% do resultado.

– IPC-M,Índice de Preços ao Consumidor: Este avalia os preços dos setores que possuem maior impacto no bolso do consumidor, como itens de alimentação ou saúde, tendo o equivalente a 30% do resultado.

– INCC-M, Índice Nacional de Custo e Construção: Corresponde a 10% do valor final e monitora os preços do setor de construção, incluindo materiais e mão de obra.

É realizado mensalmente pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) mas é apresentado de forma consolidada em relação aos últimos meses.

Levando em consideração todas as informações, o IGP-M é muito importante e amplamente utilizado no mercado, sendo quase obrigatório seu acompanhamento por parte dos investidores para que seja possível realizar projeções e aplicações de maneira eficiente.

Por que está alto?

São dois grandes fatores que contribuíram para esse aumento, sendo eles o aumento do dólar e a pandemia, onde, o aumento do dólar fez subir as commodities como minério de ferro por exemplo. Já a pandemia impactou fortemente o mercado interno, com aumento de desemprego e diminuição de renda. Esses pontos influenciam negativamente proprietários e inquilinos.

A Lei de Locações determina que o indexador do aluguel é definido entre as partes, mas o mais frequente é  usar o IGP-M, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). 

O mercado adotou o IGP-M por acreditar que o índice melhor demonstraria a variação de preços para este segmento. Outros índices podem ser utilizados, mas o risco de crises e sazonalidades sempre existem e vão causar distorções.

Para demonstrar o impacto do reajuste, a FecomercioSP realizou a simulação a seguir, em que se aplicam as devidas correções de aluguel pelo IGP-M e pelo IPCA, ou seja, pelo que estaria previsto em um contrato padrão e também pelo índice eventualmente acordado em posterior renegociação. A data-base é o mês de junho. 

  • Valor-base da locação mensal – R$ 10 mil
  • Valor corrigido pelo IGP-M (previsto no contrato) – R$ 13.706,30 (percentual de 37,06%)
  • Valor corrigido pelo IPCA (acordo) – R$ 10.805,59 (percentual de 8,06%) 

Qual a possível saída?

A imobiliária e o inquilino devem então buscar uma negociação direta. Em um acordo que não prejudique a relação e que seja rápido, seguro, válido judicialmente e discreto.

.Que evite um conflito maior, sem a interferência da Justiça, implicando economia de recursos financeiros e de tempo.   O momento é de uma grande crise, trocar de inquilino pode não ser tão simples, além de custar caro.

Gostou das dicas? Não se esqueça de assinar nossa Newsletter no formulário abaixo para continuar recebendo nosso conteúdo.

0 CommentsClose Comments

Leave a comment

O índice mais utilizado do mercado de locações, o IGP-M, está a algum tempo bem elevado. Por que isso está ocorrendo, e como podemos lidar com esse problema?

O que é IGPM?

O Índice Geral de Preços do Mercado, ou também conhecido como a Inflação do Aluguel, é responsável por calcular a movimentação de preços na economia nacional. Ele é realizado mensalmente e utiliza outros índices para medir a inflação ou deflação.

Como ele influencia na economia?

Como informado no início, esse índice mede a variação dos preços dentro do período calculado. Quanto mais alto o valor do IGP-M, mais o dinheiro desvaloriza. Vale lembrar que as elevações ao final do mês não determina todo o cenário da economia, deste modo, o investidor precisa avaliar mais de um indicativo, como IPCA.

Desta forma, o IGP-M tem grande impacto no custo de vida das pessoas, pois faz com que os valores de  planos de saúde, escolas, energia elétrica e outros serviços essenciais sofram reajustes.

O aluguel é outro item afetado pelo IGP-M, pois a média dos valores dos últimos 12 meses é usado no ajuste anual dos contratos, onde o dono do imóvel realiza a correção do valor mensal com base nesse resultado.

Investimentos como LCI (Letra de Crédito Imobiliário), CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e Tesouro também são afetados pelo índice, além de alguns contratos em que também pode ser aplicado sob certas condições que exigem cuidado para se ter um bom rendimento.

Como é calculado?

Os índices considerados são:

– IPA-M, Índice de Preços ao Produtor Amplo: Monitora variações do varejo e é o mais significativo do cálculo, responsável por 60% do resultado.

– IPC-M,Índice de Preços ao Consumidor: Este avalia os preços dos setores que possuem maior impacto no bolso do consumidor, como itens de alimentação ou saúde, tendo o equivalente a 30% do resultado.

– INCC-M, Índice Nacional de Custo e Construção: Corresponde a 10% do valor final e monitora os preços do setor de construção, incluindo materiais e mão de obra.

É realizado mensalmente pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) mas é apresentado de forma consolidada em relação aos últimos meses.

Levando em consideração todas as informações, o IGP-M é muito importante e amplamente utilizado no mercado, sendo quase obrigatório seu acompanhamento por parte dos investidores para que seja possível realizar projeções e aplicações de maneira eficiente.

Por que está alto?

São dois grandes fatores que contribuíram para esse aumento, sendo eles o aumento do dólar e a pandemia, onde, o aumento do dólar fez subir as commodities como minério de ferro por exemplo. Já a pandemia impactou fortemente o mercado interno, com aumento de desemprego e diminuição de renda. Esses pontos influenciam negativamente proprietários e inquilinos.

A Lei de Locações determina que o indexador do aluguel é definido entre as partes, mas o mais frequente é  usar o IGP-M, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). 

O mercado adotou o IGP-M por acreditar que o índice melhor demonstraria a variação de preços para este segmento. Outros índices podem ser utilizados, mas o risco de crises e sazonalidades sempre existem e vão causar distorções.

Para demonstrar o impacto do reajuste, a FecomercioSP realizou a simulação a seguir, em que se aplicam as devidas correções de aluguel pelo IGP-M e pelo IPCA, ou seja, pelo que estaria previsto em um contrato padrão e também pelo índice eventualmente acordado em posterior renegociação. A data-base é o mês de junho. 

  • Valor-base da locação mensal – R$ 10 mil
  • Valor corrigido pelo IGP-M (previsto no contrato) – R$ 13.706,30 (percentual de 37,06%)
  • Valor corrigido pelo IPCA (acordo) – R$ 10.805,59 (percentual de 8,06%) 

Qual a possível saída?

A imobiliária e o inquilino devem então buscar uma negociação direta. Em um acordo que não prejudique a relação e que seja rápido, seguro, válido judicialmente e discreto.

.Que evite um conflito maior, sem a interferência da Justiça, implicando economia de recursos financeiros e de tempo.   O momento é de uma grande crise, trocar de inquilino pode não ser tão simples, além de custar caro.

Gostou das dicas? Não se esqueça de assinar nossa Newsletter no formulário abaixo para continuar recebendo nosso conteúdo.